terça-feira, 8 de agosto de 2023

Porta estreita (Lição 20 - Livro Vinha de Luz)

Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na “porta estreita” a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais. Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício  que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do  entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida. Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço  de retificação e aperfeiçoamento. Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as “portas largas” por onde transitam as multidões. Fugindo à dificuldade, empenha­se pelo menor esforço. Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir  aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si. E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo  realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos. Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte. “Ah! se fosse possível voltar!...” — pensam todos. Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros!... Mas... é tarde. Rogaram a “porta estreita” e receberam­na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas “portas largas”, volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.

Emmanuel

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